“O diabo e o Padre Amorth” Parte I

Artigo escrito por Rodrigo Cardoso, editor responsável pelo site.

Este artigo contém spoilers.

No último dia 23 de julho, foi lançado no Brasil pela Netflix o documentário “O diabo e o Padre Amorth”, do diretor americano William Friedkin .

O filme – de uma hora e nove minutos – retrata um exorcismo real, segundo o ritual romano dos exorcismos autorizado pela Igreja Católica Apostólica Romana.

O diretor, conhecido pelo trabalho no filme “O Exorcista” (1972), clássico do terror que tornou conhecida a crença na possessão demoníaca e na existência do mal, registrou um exorcismo real de uma jovem arquiteta chamada Cristina. O Exorcista era o saudoso Padre Gabriele Amorth, que exerceu o ofício na Diocese de Roma por mais de 30 anos.

Friedkin inicia o documentário contando um pouco da história que deu origem ao roteiro do filme “O Exorcista”. O autor do livro, William Peter Blatty, era estudante na Universidade de Georgetown quando estava assistindo uma aula no campus principal em que o Padre Jesuíta Eugene Gallaghar informou estar trabalhando em autêntico caso de possessão demoníaca. O caso aconteceu na cidade americana de Cottage City, em Maryland, no ano de 1949, quando um jovem de 14 anos de família luterana foi tido como possuído. Ele foi examinado por médicos e psiquiatras que não chegaram a uma conclusão sobre as perturbações que o atingiram. Sacerdotes católicos foram, então, chamados para realizar uma série de exorcismos na casa da família. Mais tarde, o jovem foi transferido para o Hospital Alexian Brothers, em Saint Louis, sendo liberado posteriormente.

O autor do livro “O Exorcista”, William Peter Blatty ficou extremamente empolgado com a história quando ela foi publicada em 20 de agosto de 1949 pelo jornal The Washington Post, sob a manchete “Priest frees Mt. Rainier boy reported held in devil´s grip” (em tradução livre: Padre liberta garoto de Mount Rainier que relatava estar sob o controle do demônio”).

A matéria afirmava: “na recente história religiosa, um garoto de 14 anos, de Mount Rainier foi libertado da possessão demoníaca  por um padre católico.” Segundo a matéria, o garoto “entrou em surtos de violência, gritando e amaldiçoando numa língua latina que nunca tinha estudado.”

Blatty estava cada vez mais interessado a medida que o fenômeno se mostrava autenticamente paranormal e inexplicável. Com muita dificuldade, conseguiu localizar o exorcista original do caso, o Padre Jesuíta William Bownden que demonstrou muito interesse em ajudar que a história fosse contada. Contudo, foi dada à família do menino possuído a garantia de silêncio absoluto e confidencialidade. O Padre Bowden pediu à família que isso fosse reconsiderado, porque a causa era nobre e a realização do livro seria um trabalho “muito apostólico”. Blatty foi à família e eles disseram que “não queriam participar”. Isso aguçou ainda mais a vontade dele de escrever sobre o assunto, pois percebeu que a família não queria holofotes. Diante da negativa da família em retirar o sigilo, o Padre Bowden escreveu a Blatty pedindo que não escrevesse mais sobre o assunto e que não poderia mais ajudá-lo. Porém, ao final da carta escreveu: “o caso que estava envolvido foi real.”

O filme foi gravado na casa da rua 36 Prospect, em Georgetown.

Continua na parte II.

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