O Mistério da Revista “Egzorcysta”: Como Uma Publicação Polonesa de Exorcismo Sumiu e Dividiu a Igreja

1. Introdução — Um fenômeno que surgiu no coração da Polônia

No final de 2012, em meio a uma atmosfera de atenção crescente à realidade do exorcismo na Polônia, surgiu nas bancas um título até então sem paralelos: o Miesięcznik Egzorcysta (Revista Egzorcista). Utilizando artigos, entrevistas e relatos ligados à temática do combate espiritual e da demonologia, a publicação afirmava responder ao significativo interesse popular e à demanda pastoral pelo assunto naquele país. Sua criação foi anunciada por grupos de padres católicos e demonologistas poloneses, que afirmavam que o número de casos e pedidos de ajuda pastoral estava aumentando, deixando exorcistas com “as mãos cheias” de trabalho.

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2. O perfil da revista — identidade e proposta

O Egzorcysta era um mensal católico polonês voltado a temas de ameaças espirituais, com enfoque em relatos de experiências, entrevistas com exorcistas, análises teológicas e reflexões sobre a modernidade e o mal. Registrado oficialmente com o ISSN 2299-2197, o periódico tinha distribuição nas principais redes de livrarias e bancas da Polônia e cresceu em tiragem nos primeiros anos de sua existência.

No início, a revista foi publicada pela editora Polwen com cerca de 15 000 exemplares e posteriormente teve seu raio de alcance ampliado, inclusive com editoras diferentes ao longo dos anos.

3. Crescimento e repercussão — cobertura editorial e circulação

Nos primeiros números, a revista apresentava uma variedade de artigos que iam desde textos sobre ocultismo, exorcismo e a presença do mal até entrevistas com figuras vinculadas ao fenômeno espiritual. Em diversas plataformas de venda online é possível encontrar edições digitalizadas e PDFs que indicam sua circulação contínua ao longo dos anos, com edições publicadas pelo menos até 2021.

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O conteúdo chamava atenção tanto de leitores leigos quanto de estudiosos, e em algumas ocasiões era citado até fora da Polônia como parte de uma “onda” de interesse sobre exorcismo no país católico.

4. Críticas e controvérsias — a tensão com a mídia secular e a Igreja

Apesar de ganhar notoriedade, o Egzorcysta logo se viu no centro de debates críticos. Observadores laicos e teólogos levantaram questões sobre a linha editorial, inclusive colocando em dúvida se o conteúdo promovia uma visão desequilibrada ou excessivamente sensacionalista sobre o mal e o demônio. Alguns críticos chegaram a comparar a cobertura a uma “fascinação pelo mal” que lembrava épocas medievais de obsessão demonológica.

Em paralelo, em 2013 surgiu uma polêmica jornalística significativa: um veículo secular afirmou que bispos poloneses teriam recomendado a leitura do Egzorcysta, sugerindo um amplo apoio institucional da hierarquia católica à revista. Isso levou a uma retificação oficial por parte da Diocese de Płock, que negou que o bispo tivesse endossado ou recomendado a publicação como um material aprovado pela Igreja, ressaltando inclusive que havia orientação para que detalhes da pastoral de exorcismo não fossem tornados públicos de forma imprudente — algo que claramente contrastava com uma divulgação editorial ampla. Essa retratação expôs um impasse: a Igreja buscava prudência pastoral, enquanto a mídia secular noticiava e, em alguns casos, excessivamente interpretava a existência da revista.

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5. O desaparecimento digital — vestígios e lacunas

Hoje, o que era apresentado como site oficial ou canal digital do Egzorcysta não mais retorna conteúdos relacionados à revista; em muitos casos, o domínio agora está ocupado por outros assuntos que nada têm a ver com a publicação original. Isso sugere que, com o tempo, seus administradores não renovaram o domínio ou deixaram de manter sua presença online — algo que acontece com muitas revistas impressas em transição no ambiente digital.

Ainda assim, edições completas e títulos estão disponíveis em lojas de e-books e plataformas de venda de periódicos, mostrando que a revista continuou a ser publicada por vários anos depois de sua fundação, mesmo sem um site ativo.

6. Lições espirituais — entre o interesse popular e a prudência pastoral

O caso do Egzorcysta traz profundas reflexões para comunidades de fé e estudiosos da espiritualidade contemporânea. Em primeiro lugar, demonstra como temas ligados ao combate espiritual e ao exorcismo atraem atenção não apenas dos fiéis, mas também da mídia secular, o que pode levar a deturpações e sensacionalismo quando não há cuidado editorial eclesial. A retratação da Diocese diante de interpretações errôneas sobre supostos “apoios episcopais” mostra que existe uma necessidade institucional de clareza doutrinal e prudência pastoral sobre essas realidades, que são profundamente espirituais e não devem ser tratadas como espetáculo midiático.

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Além disso, a trajetória da revista — desde o auge de interesse até o seu relativo desaparecimento digital — é um convite para refletirmos sobre como a Igreja pode dialogar com temas sensíveis de maneira fiel, educativa e espiritual, sem perder o foco pastoral nem ceder ao sensacionalismo. Isso é especialmente relevante em um contexto em que a demanda por compreensão sobre o mal é intensa, mas nem sempre bem encaminhada por canais leigos.

7. Conclusão — o legado de Egzorcysta e o papel da Igreja

O Egzorcysta não foi apenas uma revista: foi um fenômeno editorial no contexto de uma sociedade profundamente religiosa e curiosa sobre a realidade espiritual invisível. Sua existência atesta que há um apetite por compreensão do invisível e do misterioso, mas sua recepção crítica e a retificação pública por autoridades eclesiásticas mostram a necessidade de discernimento — tanto na produção quanto no consumo de conteúdo envolto em temas espirituais profundos. Esses aprendizados oferecem uma contribuição valiosa ao debate contemporâneo sobre como a fé, o exorcismo e a comunicação pública se entrecruzam num mundo cada vez mais mediado pela mídia digital e pela curiosidade popular.

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