Quando o demônio se revelou: o primeiro caso de libertação do Padre Rufus Pereira

Um testemunho que mudou para sempre a forma como a Igreja enfrenta o mal1

Durante décadas, o Padre Rufus Pereira percorreu o mundo anunciando uma verdade que muitos preferem ignorar: o mal não é apenas uma abstração, nem um símbolo psicológico, mas uma realidade espiritual concreta que atua na história humana. Curiosamente, esse homem que se tornaria um dos maiores nomes do ministério de libertação da Igreja não acreditava na existência do demônio. Sua conversão não foi teórica, mas pastoral, forjada no choque direto com uma realidade que nenhum tratado acadêmico foi capaz de lhe explicar.

Sacerdote formado em Roma, doutor em Escritura, respeitado nos meios teológicos, Rufus Pereira vivia uma fé profundamente sacramental, mas racionalizada. O ministério da libertação não fazia parte de seu horizonte. Ele próprio confessaria, anos depois, que tratava o tema com ironia e distância. Até o dia em que, contra sua vontade, foi confrontado com algo que mudaria sua vida sacerdotal para sempre.

O dia em que a incredulidade encontrou o inferno

Era 26 de julho de 1977, festa de Santa Ana e São Joaquim. Após celebrar a missa e participar das atividades de um retiro religioso, o sacerdote recolheu-se para descansar. Pouco depois, três religiosas bateram à sua porta trazendo um pedido desconcertante: uma família aguardava do lado de fora com um caso que não parecia doença mental, mas possessão demoníaca.

A reação inicial foi de recusa. Rufus orientou que rezassem, que continuassem confiando em Deus, que perseverassem nos sacramentos. Era, como ele próprio admitiria depois, aquela resposta pastoral que muitas vezes significa apenas “dispensar a pessoa”. Mas o descanso não veio. Algo o inquietava interiormente. A insistência daquela família parecia ecoar como uma cobrança silenciosa do próprio Cristo.

Sem preparo, sem convicção e, segundo suas próprias palavras, sem fé, ele aceitou rezar. Sua oração foi curta, quase irritada: pediu que Jesus libertasse aquela pessoa “se o demônio realmente existisse”. Foi o suficiente.

O choque da realidade espiritual

O que aconteceu em seguida não deixou espaço para dúvidas. Um forte estrondo interrompeu o ambiente e uma mulher piedosa, conhecida por sua vida de oração, caiu ao chão. Quando Padre Rufus abriu os olhos, viu algo que jamais esqueceria: o rosto dela já não era humano, mas deformado por uma presença que se manifestava com ódio, violência e palavras que ela nunca aprendera.

A entidade se dirigiu a ele com clareza, em inglês perfeito, reivindicando território, reconhecendo sua identidade e ordenando que voltasse para Bombaim. O sacerdote, até então incrédulo, ficou paralisado. Não havia ali explicação psicológica, cultural ou médica. Aquilo exigia uma resposta espiritual imediata.

Sem saber o que fazer, cercado pelas religiosas, Padre Rufus recorreu instintivamente àquilo que antes desprezava: a oração conduzida pelo Espírito Santo. Pela primeira vez em sua vida, rezou em línguas, movido pelo próprio Espírito Santo. E diante de seus olhos, em poucos segundos, o impossível aconteceu. A expressão demoníaca cedeu lugar a um rosto sereno, luminoso, quase angelical. As mãos antes em forma de garras ergueram-se em louvor.

Aquela foi sua primeira oração de libertação.

Uma teologia construída na experiência pastoral

A partir daquele dia, Padre Rufus Pereira não passou a ver o demônio em tudo, nem se deixou levar por exageros. Pelo contrário: sua reflexão amadureceu. Ele passou a ensinar que o mal possui três fontes bem definidas: o pecado pessoal, as influências humanas e sociais, e, por fim, a ação direta das forças das trevas. Ignorar qualquer uma delas é comprometer a verdadeira cura.

Sua convicção sobre a existência do demônio não se baseava apenas na Escritura, no Catecismo ou no Magistério da Igreja — embora todos confirmem essa realidade —, mas sobretudo na experiência pastoral concreta, repetida milhares de vezes ao redor do mundo. Casos sem explicação médica, psicológica ou psiquiátrica encontravam solução apenas quando enfrentados com discernimento espiritual e autoridade conferida por Cristo à Igreja.

Entre o negacionismo e o exagero: a postura da Igreja

Padre Rufus alertava constantemente contra dois erros opostos: negar a existência do demônio ou vê-lo em toda parte. A posição católica é a do equilíbrio. O próprio Cristo enfrentou o maligno, libertou os oprimidos e confiou esse ministério à Igreja. Não por curiosidade, mas por necessidade pastoral.

A história do primeiro caso de libertação de Padre Rufus Pereira não é um convite ao medo, mas à lucidez espiritual. O demônio existe, mas não é o centro. O centro é Cristo, vencedor do mal, Senhor da história e libertador do homem. Onde a Igreja age com fidelidade, discernimento e obediência, o mal não prevalece.

Conclusão: uma verdade que não pode ser ignorada

O testemunho do Padre Rufus Pereira desmonta tanto o ceticismo teológico quanto o sensacionalismo religioso. Ele nos recorda que a libertação não é espetáculo, mas missão; não é iniciativa humana, mas obra de Deus; não é fruto de técnicas, mas da autoridade de Cristo confiada à Sua Igreja.

Negar essa realidade não protege o povo de Deus. Pelo contrário, o deixa desarmado. Como o próprio Padre Rufus aprendeu da forma mais dura possível: querendo ou não, o demônio existe — mas a vitória já pertence a Cristo.

  1. Artigo baseado na palestra intitulada “A existência do demônio”, proferida em Aprofundamento no ano de 2010, pelo próprio Padre Rufus Pereira. ↩︎

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