Bruxos podem realmente influenciar o resultado de um jogo? O que a Igreja ensina sobre maldições e feitiços

Durante a Copa do Mundo de 2026, uma notícia chamou a atenção de torcedores muito além do campo de futebol. Um conhecido feiticeiro ganês, chamado Nana Kwaku Bonsam, voltou a afirmar publicamente que teria realizado rituais espirituais contra jogadores adversários. Depois de alegar, anos atrás, ter “amaldiçoado” o atacante inglês Harry Kane, o bruxo declarou agora que Cabo Verde eliminaria a Argentina da competição por meio de seus poderes espirituais.

Independentemente do resultado da partida, o episódio reacendeu uma pergunta que acompanha a humanidade há séculos: afinal, maldições realmente funcionam? Uma pessoa pode, por meio de rituais ocultistas, interferir na vida de outra? E o que a Igreja Católica ensina sobre esse assunto?

A resposta exige equilíbrio. A fé católica não trata essas questões com superstição, mas também não as reduz a mera imaginação. A Igreja reconhece a existência do combate espiritual, porém ensina que toda a realidade deve ser compreendida à luz da soberania de Deus.

A Igreja acredita na existência da ação do demônio

Ao contrário de uma visão puramente materialista da realidade, a Igreja ensina que existe um mundo espiritual invisível.

O Catecismo da Igreja Católica afirma que Satanás e os demônios são anjos criados bons por Deus, mas que, por livre escolha, rebelaram-se contra Ele (CIC 391-395). Embora continuem atuando no mundo, seu poder é limitado e jamais se compara ao poder divino.

O Catecismo também recorda:

“O poder de Satanás não é infinito. Ele é apenas uma criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas continua sendo criatura. Não pode impedir a edificação do Reino de Deus.” (CIC 395)

Essa afirmação é fundamental. O demônio existe, age e tenta afastar o homem de Deus, mas nunca atua fora da permissão divina.

Nem tudo o que acontece é consequência de um feitiço

Um dos maiores erros presentes na religiosidade popular é atribuir qualquer sofrimento à ação direta do maligno.

Perdeu o emprego?

Foi vítima de uma inveja.

O casamento entrou em crise?

Alguém fez um trabalho.

Ficou doente?

Certamente foi uma maldição.

Essa forma de pensar não corresponde ao ensinamento da Igreja.

Os exorcistas experientes insistem que o discernimento é indispensável. Antes de atribuir um problema à ação extraordinária do demônio, é necessário considerar causas naturais, psicológicas, médicas, emocionais e sociais.

A própria Instrução sobre as Orações para Obter de Deus a Cura, publicada pelo então Dicastério para a Doutrina da Fé, recorda que é preciso evitar interpretações precipitadas dos sofrimentos humanos. Da mesma forma, a Associação Internacional dos Exorcistas orienta que todo possível caso de influência extraordinária seja cuidadosamente investigado antes de qualquer conclusão.

A prudência sempre caminhou ao lado da fé.

A Bíblia condena claramente a feitiçaria

Embora reconheça a existência do mundo espiritual, a Sagrada Escritura condena de maneira firme toda prática de magia, adivinhação e ocultismo.

No livro do Deuteronômio, Deus ordena:

“Não se ache no meio de ti quem pratique adivinhação, astrologia, magia, feitiçaria, encantamentos, nem quem consulte os mortos, porque todo aquele que faz essas coisas é abominável ao Senhor.” (Dt 18,10-12)

São Paulo inclui a feitiçaria entre as obras da carne que afastam o homem do Reino de Deus (Gl 5,19-21).

Já no livro dos Atos dos Apóstolos, muitos dos que haviam praticado magia, ao se converterem, queimaram publicamente seus livros de ocultismo como sinal concreto de ruptura com aquelas práticas (At 19,19).

A Bíblia nunca trata a magia como entretenimento inofensivo. Ela a apresenta como um caminho incompatível com a confiança exclusiva em Deus.

Uma maldição pode atingir qualquer pessoa?

Essa talvez seja a pergunta mais frequente entre os fiéis.

A resposta da tradição católica exige algumas distinções importantes.

Os exorcistas reconhecem que os chamados malefícios ou maldições podem existir como forma de pedido dirigido às forças malignas para prejudicar outra pessoa. Contudo, isso não significa que qualquer ritual tenha automaticamente o efeito desejado.

Deus permanece Senhor absoluto da história.

Nenhuma ação demoníaca acontece independentemente de Sua providência.

Por isso, a vida espiritual do cristão possui enorme importância.

Quem vive unido a Cristo, alimentando-se da Eucaristia, recorrendo frequentemente ao sacramento da Reconciliação, cultivando uma vida de oração e permanecendo fiel aos mandamentos encontra sua maior proteção em Deus.

Como afirma São Paulo:

“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31)

E Jesus promete aos seus discípulos:

“Eu vos dei poder para pisar serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo.” (Lc 10,19)

Isso não significa imunidade contra todos os sofrimentos da vida, mas revela que nenhum poder das trevas supera a autoridade de Cristo.

O ensinamento de Padre Gabriele Amorth

O saudoso exorcista italiano Padre Gabriele Amorth dedicou grande parte de seu ministério a esclarecer esse tema.

Ele reconhecia a possibilidade da existência de malefícios, mas advertia constantemente contra dois extremos igualmente perigosos.

O primeiro consiste em negar completamente a ação extraordinária do demônio.

O segundo é enxergar demônios e maldições em absolutamente tudo.

Padre Amorth afirmava que muitas pessoas sofrem mais pelo medo do que pelo eventual malefício em si. O medo exagerado abre espaço para a ansiedade, para o desespero e, muitas vezes, para uma dependência cada vez maior de práticas supersticiosas.

Sua orientação era sempre a mesma: fortalecer a vida sacramental, abandonar qualquer vínculo com o ocultismo e confiar plenamente em Cristo.

O maior perigo não é sofrer um malefício, mas procurar quem o faça

A notícia sobre um suposto feiticeiro pode despertar curiosidade. Entretanto, existe um risco muito mais grave do que ser alvo de uma maldição.

É procurar voluntariamente essas práticas.

Infelizmente, muitas pessoas recorrem a cartomantes, médiuns, feiticeiros, amarrações amorosas, consultas espirituais e rituais de magia acreditando resolver seus problemas.

O Catecismo da Igreja Católica condena claramente essas práticas:

“Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas.” (CIC 2116)

Logo em seguida, acrescenta:

“Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar poderes ocultos para colocá-los a serviço próprio, são gravemente contrárias à virtude da religião.” (CIC 2117)

A razão é simples.

Quem procura esses caminhos deixa de confiar na providência de Deus e busca auxílio em poderes incompatíveis com a fé cristã.

O maior perigo não é sofrer um malefício, mas procurar quem o faça

A notícia sobre um suposto feiticeiro pode despertar curiosidade. Entretanto, existe um risco muito mais grave do que ser alvo de uma maldição.

É procurar voluntariamente essas práticas.

Infelizmente, muitas pessoas recorrem a cartomantes, médiuns, feiticeiros, amarrações amorosas, consultas espirituais e rituais de magia acreditando resolver seus problemas.

O Catecismo da Igreja Católica condena claramente essas práticas:

“Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas.” (CIC 2116)

Logo em seguida, acrescenta:

“Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar poderes ocultos para colocá-los a serviço próprio, são gravemente contrárias à virtude da religião.” (CIC 2117)

A razão é simples.

Quem procura esses caminhos deixa de confiar na providência de Deus e busca auxílio em poderes incompatíveis com a fé cristã.

Cristo continua sendo a única verdadeira proteção

O episódio envolvendo o feiticeiro ganês desperta curiosidade porque toca em um tema que acompanha a humanidade desde os tempos bíblicos: o desejo de controlar acontecimentos por meios ocultos. No entanto, a resposta da Igreja permanece a mesma ao longo dos séculos. O cristão não deve viver escravizado pelo medo de maldições nem fascinado por manifestações do ocultismo.

A verdadeira libertação não consiste em descobrir quem teria lançado um feitiço, mas em permanecer unido Àquele que venceu definitivamente o pecado, a morte e o próprio demônio.

São João resume essa esperança em uma frase que continua atual:

“Filhinhos, vós sois de Deus e os vencestes, porque aquele que está em vós é maior do que aquele que está no mundo.” (1Jo 4,4)

Diante de notícias sobre bruxaria, previsões espirituais ou supostos poderes ocultos, o católico é chamado a responder não com medo ou curiosidade, mas com fé madura. A melhor proteção contra qualquer ação do maligno continua sendo uma vida enraizada em Cristo, alimentada pela oração, pela Confissão frequente, pela Eucaristia e pela fidelidade ao Evangelho. Onde reina a graça de Deus, as trevas não têm a última palavra.

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