Começa Hoje a Quaresma de São Miguel Arcanjo: A Batalha Espiritual de 40 Dias

Hoje, 15 de agosto, Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, a Igreja também abre um dos períodos devocionais mais intensos do ano: a Quaresma de São Miguel Arcanjo . Durante 40 dias — até 29 de setembro, festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael — os santos são convidados a um tempo de oração e penitência acompanhada ao combate espiritual e à proteção contra o mal.

Não é coincidência ela começar justamente hoje. Compreender por que essa não é apenas mais uma devoção popular, mas uma resposta a uma realidade que a própria Igreja ensina como concreta, exige olhar para três fontes: a Palavra de Deus, o Magistério e a Tradição.

Uma batalha real, não um símbolo

O que diz a Palavra de Deus

São Paulo é direto ao Descrever a vida cristã como um combate: “Revesti-vos da armadura de Deus, para que possamis resistir às ciladas do diabo” (Ef 6,11). Ele não fala de metáfora vazia — fala de uma luta concreta contra “os poderes deste mundo tenebroso” (Ef 6,12).

O livro do Apocalipse vai além e nomeia o protagonista dessa luta: “Houve, então, uma guerra no céu: Miguel e os seus anjos combateram contra o dragão” (Ap 12,7). É a própria Escritura que apresenta Miguel como o arcanjo que enfrentou o inimigo em nome de Deus — e que o profeta Daniel já havia identificado séculos antes como “um dos primeiros príncipes” que socorre o povo de Deus em meio à tribulação (Dn 10,13).

O que ensina o Magistério

A Igreja não trata essa batalha como imaginação piedosa. O Catecismo da Igreja Católica é claro: “Toda a história humana está, pois, sob a poderosa influência da ‘luta tremenda contra os poderes das trevas'” (CIC 409). E sobre a natureza dos anjos, o Catecismo ensina que são criaturas espirituais, pessoais e imortais, criadas por Deus para servi-Lo e colaborar em seu plano de salvação (CIC 328-336) — não símbolos, não representações, mas seres reais com missão concreta.

Foi essa consciência da batalha espiritual que levou o Papa Leão XIII, em 1884, a compor a célebre oração a São Miguel depois de uma experiência que o teria deixado profundamente abalado após a celebração da Missa — e a determinar que ela fosse rezada em toda a Igreja. Mais de um século depois, São João Paulo II voltou a pedir, em 1994, que os fiéis não abandonassem essa oração, justamente por considerar que o combate contra o mal permanece atual.

O que ensina a Tradição

A Quaresma de São Miguel não nasceu de uma orientação institucional recente — ela vem de São Francisco de Assis. No ano de 1224, o santo subiu ao Monte Alverne para viver, mais uma vez, esse período de 40 dias de jejum e oração em honra ao Arcanjo, dizendo: “Para honra de Deus, da bem-aventurada Virgem Maria e de São Miguel Arcanjo, príncipe dos anjos e das almas, quero fazer aqui uma quaresma”. Foi justamente durante essa quarta que Francisco recebeu os estigmas — as chagas de Cristo em seu próprio corpo — um dos episódios mais marcantes da história da santidade cristã.

Essa é a raiz da devoção que a Igreja continua vivendo hoje: um tempo forjado na entrega radical de um santo que compreendeu, na própria carne, que a vida espiritual é combate.

Por que começar no dia da Assunção

Não é por acaso que a Quaresma de São Miguel começa exatamente na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. A tradição cristã sempre uniu a imagem de Maria, que esmaga a cabeça da serpente (Gn 3,15), à missão de Miguel, que expulsa o dragão do céu (Ap 12,7-9). Começar esses 40 dias sob o manto de Nossa Senhora é sério que essa batalha não se trava sozinha — trava-se em comunhão com Aquela que já venceu o inimigo ao lado de seu Filho.

Como viver esses 40 dias

Reconhecer a realidade dessa batalha é o primeiro passo. O segundo é saber, na prática, como se preparar para ela dia após dia — as orações certas, o jejum, o altar, a novena final. Preparei um guia completo e prático para isso: [Como Rezar a Quaresma de São Miguel Arcanjo: Guia Completo de 40 Dias] .

Que São Miguel Arcanjo nos defende no combate, hoje e nos próximos 40 dias.

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