Acontecem exorcismos no Natal? Para muita gente, essa pergunta soa estranha, quase inconveniente: afinal, o Natal é a festa da luz, da paz e do nascimento do Salvador. Mas justamente por ser a celebração da Encarnação, ele também recorda, com força especial, que Cristo veio para destruir as obras do maligno e libertar o homem. E, por isso, a vida real da Igreja — que inclui o ministério discreto e rigoroso do exorcismo — não pausa porque o calendário entrou em “modo festa”. O inimigo não tira férias; e a caridade pastoral, quando é necessária, também não.
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1) O que a Igreja realmente chama de “exorcismo”
Antes de tudo, é preciso separar fantasia de doutrina. A Igreja fala de exorcismo como um ato da autoridade espiritual confiada por Jesus à Igreja, para expulsar demônios ou libertar do poder diabólico; e ensina, com prudência, que é muito diferente de doenças — sobretudo psíquicas — que exigem tratamento médico. Por isso, antes de qualquer grande exorcismo, é necessária avaliação séria e discernimento responsável.
2) Quem pode realizar um exorcismo solene (e por quê isso importa)
Exorcismo solene não é “oração forte”, nem “sessão de libertação”, nem prática improvisada. A Igreja determina que ninguém pode proferir exorcismo sobre possessos sem licença explícita do bispo, concedida a um presbítero com piedade, sabedoria, prudência e integridade de vida. Esse ponto é crucial para proteger o fiel de abusos, charlatanismo e riscos espirituais reais — e para manter o rito na sobriedade própria da Igreja.
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3) Então… acontecem exorcismos no Natal?
Sim, podem acontecer — não porque o Natal seja “tempo de trevas”, mas porque o sofrimento humano não escolhe data, e a assistência pastoral também não deveria escolher. O que muda é o espírito com que o católico olha para isso: não como espetáculo, mas como obra de misericórdia, realizada com critério e autoridade. Em relatos e memórias sobre o Pe. Gabriele Amorth, aparece precisamente essa ideia: ele dizia que realizava exorcismos todos os dias, inclusive aos domingos e no Natal.
4) O que Padre Gabriele Amorth dizia — e o que isso revela sobre o combate espiritual
Em entrevista registrada na imprensa italiana, atribui-se a Amorth a frase direta: “Exorcizo sempre… também no Natal”, no contexto de seu ritmo intenso de atendimentos. O Vaticano News, ao repercutir obra biográfica sobre ele, reforça o mesmo dado: o exorcista “vai em batalha” muitas vezes ao dia, inclusive no Natal.
O ponto não é “transformar” o Natal em tema sombrio, mas entender a lógica pastoral: onde existe aflição extraordinária, a Igreja busca libertação — e onde existe engano, a Igreja busca verdade.
5) Por que o Natal, em vez de “afastar”, pode intensificar reações espirituais?
A tradição espiritual sempre ensinou que as grandes festas cristãs proclamam, com força pública, a vitória de Cristo — e isso incomoda o inferno. O Natal anuncia que Deus entrou na história, tomou carne, derrubou o orgulho antigo e abriu ao homem o caminho da graça. Em termos simples: a luz expõe as sombras. Por isso, é possível que em alguns casos — sobretudo quando há envolvimento prévio com ocultismo, pactos, práticas espirituais ilícitas ou rejeição obstinada da fé — apareçam reações mais agudas justamente em tempos de maior vida sacramental e oração comunitária. Isso não é “misticismo barato”; é leitura espiritual coerente com a fé no Cristo que venceu.
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6) O maior perigo no Natal: trocar a graça por superstição
Aqui está a virada que muita gente ignora: o risco mais comum não é “possessão no Natal”, mas superstição no Natal. Pessoas feridas procuram “atalhos”: benzimentos estranhos, rituais paralelos, “quebras” sem Igreja, promessas mágicas, curiosidade com práticas ocultas disfarçadas de tradição. A própria orientação da Igreja insiste em prudência e regras claras, e alertas contra abordagens que confundem o fiel e abrem espaço para abusos. Natal não é tempo de brincar com trevas; é tempo de renunciar ao pecado e abraçar Cristo com mais seriedade.
7) O que fazer, na prática, se alguém suspeita de influência espiritual grave
O caminho católico é objetivo e seguro: procure um sacerdote, relate com honestidade, aceite o discernimento e não “force diagnóstico”. A Igreja pede que se evite confundir doença com presença diabólica e que se aja com responsabilidade. Em geral, o primeiro remédio é a vida de graça: confissão, Eucaristia, oração perseverante, renúncia real ao pecado, corte com ocultismo e reconciliação com Deus. Se houver sinais consistentes de ação extraordinária, o próprio caminho eclesial pode encaminhar ao exorcista autorizado — sem pressa, sem espetáculo, sem medo teatral.
8) Conclusão: a Noite Santa não é “pausa” da batalha — é anúncio da vitória
Perguntar se acontecem exorcismos no Natal é, no fundo, perguntar se a Igreja continua mãe quando o relógio marca 25 de dezembro. E a resposta é clara: sim. Se Padre Gabriele Amorth dizia que exorcizava até no Natal, isso não diminui a festa; pelo contrário, confirma que o Natal é tão real que toca a carne ferida do mundo. A Encarnação não é enfeite de presépio: é Deus entrando no campo de batalha para resgatar filhos. E é por isso que, na noite em que os anjos cantam “Glória a Deus”, a Igreja continua, silenciosamente, fazendo o que sempre fez: anunciando Cristo, libertando, curando e conduzindo as almas ao único Senhor.


