O que é a Oração?

Artigo traduzido do Pe. Rufus Pereira, presente em inglês em padrerufus.net.br

Rezem constantemente! Nunca parem de rezar! (1Ts 5,17)

O que São Paulo quer dizer quando diz aos cristãos de Tessalônica: “Rezem constantemente”, ou “Nunca parem de rezar”, ou “Rezem sem cessar”? Precisamos responder à pergunta mais básica: o que então “rezar” significava para São Paulo? Para mim, assim como tenho certeza que era para Paulo, a oração é apaixonar-se por Jesus, constantemente e até continuamente ou, como o hino diz tão enfaticamente, repetidas vezes – pela simples razão de que Jesus se tornou a pessoa mais importante da minha vida. Mas o que isso significa ou implica na prática? Quando uma mulher, ainda mais do que um homem, está apaixonada, ela vai querer falar com seu amado por horas, até ao telefone, não necessariamente “sentidos”, mas frequentemente apenas “doçuras sem sentido”; ela vai desejar não tanto ouvir o que ele tem a dizer, mas apenas ouvir sua voz; ela vai ansiar não realmente fazer algo grandioso por ele, mas apenas olhar para ele, sem palavras de admiração e encantada de amor. Esse tríplice desejo ou anseio vale também na nossa relação com o Senhor.

Antes de tudo, rezar é falar com Deus, é verdade — mas da abundância do coração, isto é, com lábios de amor. Pois se houve um tempo em que oração para a maioria de nós significava meramente ou principalmente “dizer orações”, agora sabemos que oração é mais do que isso. É falar com Deus, e é portanto oração vocal, mas da abundância do coração — e isso faz toda a diferença. Pois se não há abundância — então alguém estará apenas dizendo orações de memória ou rotina, mas não realmente rezando. Como diz o ditado: “Da abundância do coração fala a boca” (Mt 12,34), e como observou Pascal, o famoso filósofo francês: “O coração tem razões que a mente desconhece”. E essa abundância vem do Espírito de seu Filho, que Deus enviou aos nossos corações, que nos faz clamar a Ele “Abba! Pai!” (Gl 4,6). Pois, como São Paulo explica mais adiante: “Quando em nossa fraqueza não sabemos pelo que rezar, o Espírito nos ajuda e até reza por nós de maneiras que nunca poderiam ser colocadas em palavras” (Rm 8,26).

É por isso que Santo Agostinho exclama, em seu comentário ao Salmo “Cantai ao Senhor um cântico novo”, que oração é jubilação — falar com Deus com aclamações de louvor, como na ladainha, e com cânticos de alegria. É por isso que a “Oração da Igreja” começa cada manhã com a invocação: “Senhor, abre os nossos lábios e nossa boca proclamará o teu louvor”. É por isso que o “Orar em Línguas” é uma oração especificamente do coração e não da mente, tão comparável em sua motivação e expressão às divertidas efusões de alguém que se apaixonou e até às deliciosas manifestações do bebê, que quer falar, mas não consegue, e por isso “fala”.

Em segundo lugar, rezar é ainda mais do que falar com Deus — é ouvi-Lo, no silêncio e quietude do coração, isto é, com ouvidos de amor. Se alguém tivesse a boa fortuna de ser concedido uma audiência com o Presidente do país para obter um grande favor em algum caso, mas passasse todo o tempo concedido apenas falando e falando sobre o caso, perceberia, ao ser conduzido para fora, que seu pedido permaneceria sem resposta simplesmente porque não deu ao Presidente o tempo necessário para dar, com esperança, sua resposta favorável concedendo seu pedido. É exatamente isso que muitas vezes acontece até na oração. Passamos tanto tempo apenas falando com o Senhor, que realmente nos escuta, mas raramente damos tempo para que Ele nos responda, apenas ficando quietos e dizendo, mesmo silenciosamente: “Fala, Senhor. Eu estou ouvindo” (Sl 46,10; 1Sm 3,10).

Eu realmente acredito que sempre que chegamos ao Senhor em oração, Ele sempre deseja falar conosco na profundidade do nosso coração, a fim de nos ensinar a ser santos, guiar, ajudar e encorajar-nos a viver bem, treinar-nos para fazer o bem e corrigir-nos. Isso pode acontecer através de um versículo das Escrituras que acabamos de ler ou veio à mente “do nada”, ou uma reflexão da homilia de domingo, ou uma observação casual feita por um companheiro de oração, ou apenas uma inspiração interior (2Tm 3,16). Como Maria, então, precisamos receber essa palavra como uma semente lançada em um coração grato e generoso, guardando-a e meditando-a, e depois permitindo que ela não apenas ecoe nos ouvidos ou toque um acorde, mas até corte nosso coração e dê fruto em nossa vida (Lc 2,19).

E em terceiro lugar, rezar é ainda mais do que ouvir o Senhor — é olhar para Jesus, com o amor do coração, isto é, com olhos de amor. Pois chega um momento em meu tempo de oração, quando sinto que já falei tudo o que queria dizer a Deus — e não tenho mais nada a dizer, e já ouvi tudo o que o Senhor queria que eu escutasse — e não há mais nada a receber. Isso não significa que meu tempo de oração tenha terminado com sucesso, mas que sua parte mais importante agora começou: um tempo de silêncio orante, adoração profunda e contemplação intensa, apenas olhando para o Senhor face a face, todo tomado de maravilha, sem palavras de amor e gratidão, enquanto experimento minha total pequenez e a incrível plenitude de Deus, e posso declarar com as palavras do bem conhecido hino, e significá-las: “Ele é o meu Tudo”. Este é o momento em que Deus não apenas me escuta ou me fala, mas desce à caverna do meu coração para fazer ali sua morada.

São João Vianney notava que um camponês vinha à sua pequena igreja todos os dias e sentava-se no último banco, aparentemente sem fazer nada. Um dia ele foi até ele e perguntou: “Meu bom homem, o que você faz aqui? Você está rezando? Parece que você não faz nada.” E apontando para o Santíssimo Sacramento, ele respondeu: “Eu olho para Ele — e Ele olha para mim.” Este é o coração da oração — em seu melhor e mais profundo nível: não falar mais, nem mesmo ouvir, mas apenas olhar para Jesus, meu Senhor e meu tudo — com amor — como um bebê que não consegue falar e não entende, mas apenas sorri para sua mãe com amor e alegria, o que faz a mãe, por sua vez, abrir um lindo sorriso de amor e alegria.

A morte súbita e inesperada de minha irmã no dia 18 de janeiro foi um grande choque para toda a família, mas obviamente para seus dois filhos, e acima de tudo para seu marido, que era tão dependente e tão ligado a ela. Mas percebi a intensidade dessa relação sempre que eu aparecia para ver como ele estava, e o via, enquanto eu espiava pela porta sem ser notado, sempre sentado diante da grande foto de sua esposa em um profundo silêncio contemplativo, com uma grande vela acesa dia e noite. Isto é um pálido retrato do que a oração realmente é e deveria ser: fazer-se presente a Jesus, sabendo que Ele está sempre presente e já esperando por mim, desejando não tanto que façamos algo por Ele, mas que permitamos que Ele faça tudo por nós (Mt 28,20; Jo 14,23).

Assim como as janelas do andar superior da casa de Daniel, onde ele rezava e louvava a Deus de joelhos, davam para Jerusalém (Dn 6,10), as janelas do meu escritório no primeiro andar da casa paroquial dão diretamente para as janelas da Capela do Santíssimo Sacramento do outro lado do jardim. E assim, mesmo no meio do meu trabalho pastoral e estudo pessoal, tenho o privilégio inesperado de estar voltado e olhando para Jesus na custódia iluminada desde cedo de manhã até tarde da noite, sendo de certo modo forçado, sem mérito meu, a “rezar constantemente”, lembrando-me de como o próprio Jesus rezava em toda ocasião, em toda situação difícil e em lugares solitários (Mt 14,23; 26,36.39; Mc 1,35; Lc 6,12; 9,28; 22,44; Jo 17,1), e como Ele ensinou sobre a necessidade de rezar continuamente e nunca desanimar (Lc 18,1).

Assim, “rezar sempre” é, na mente de São Paulo, a vontade de Deus em Cristo Jesus para seus cristãos de Tessalônica: “Isto é o que Deus quer que vocês façam.” Este é também nosso desejo por vocês, queridos leitores, assim como é a garantia dele para eles de que assim “vocês estarão sempre alegres no Senhor” (1Ts 5,16-18).

Pe. Rufus Pereira

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