O assassinato de uma mulher em São Vicente, no litoral de São Paulo, noticiado pelo G1, causou forte comoção ao revelar não apenas a brutalidade da violência doméstica, mas também o uso de uma suposta justificativa espiritual para o crime. Preso pela Polícia Civil, o ex-marido da vítima afirmou ter colocado moedas nos olhos e no corpo da mulher como parte de um chamado “ritual de passagem” para o “barqueiro Caronte”, da mitologia greco romana, alegação que imediatamente levantou questionamentos sobre a instrumentalização de símbolos espirituais para encobrir atos de extrema violência.
De acordo com as autoridades, a vítima foi encontrada morta dentro do próprio apartamento por familiares, incluindo o filho adolescente, em uma cena marcada por agressões físicas e elementos simbólicos que não correspondem a nenhuma tradição religiosa reconhecida. A polícia investiga se os objetos foram colocados antes ou depois da morte, mas já trata o caso como feminicídio, destacando que a narrativa apresentada pelo autor não altera a gravidade do crime nem sua responsabilidade penal.
Do ponto de vista espiritual e doutrinal, é fundamental afirmar com clareza: nenhuma religião autêntica, nenhuma tradição cristã e nenhuma prática espiritual legítima admite ou justifica a violência contra a vida humana. Quando símbolos são utilizados fora de seu sentido verdadeiro, eles deixam de ser sinais do sagrado e passam a ser instrumentos de confusão, manipulação ou expressão de desordem interior. A fé jamais conduz ao homicídio; ao contrário, ela protege, ilumina e ordena a consciência.

Casos como este revelam um fenômeno preocupante: a associação indevida entre violência, transtornos emocionais e discursos pseudoespirituais. A Igreja, em seus documentos e na prática pastoral, sempre alertou para a necessidade do discernimento, especialmente quando alguém utiliza linguagem religiosa para legitimar comportamentos destrutivos. Onde há morte, dominação e agressão, não há ação de Deus, mas ruptura, pecado e desintegração humana.
Além disso, o episódio reforça a urgência de olhar para a violência doméstica não apenas como um problema jurídico, mas também humano, moral e espiritual. Relações marcadas por controle, obsessão e incapacidade de aceitar rupturas exigem acompanhamento sério, psicológico e espiritual, antes que se transformem em tragédias irreversíveis. Ignorar esses sinais é permitir que o mal avance silenciosamente dentro das famílias.
O Portal Cura e Libertação reafirma que espiritualidade não é superstição, nem ritual vazio, nem justificativa para atos criminosos. A verdadeira fé conduz à conversão, à responsabilidade e ao respeito absoluto pela vida. Diante de crimes como este, a resposta não está em curiosidade mórbida, mas em formação, vigilância, denúncia da violência e compromisso com a verdade, para que símbolos sagrados jamais sejam usados para encobrir o mal.


