O ministério de cura e libertação exige mais do que boa vontade ou entusiasmo espiritual: é um chamado específico de Deus, que requer discernimento, obediência e profunda vida de oração. Quando um ministro se dispõe a rezar pelas pessoas, ele não age em nome próprio, mas em nome da Igreja, sendo um instrumento da ação do Espírito Santo. Por isso, a preparação interior e exterior do ministro é essencial, pois não se trata de uma prática qualquer, mas de um ato profundamente ligado à fé e à missão recebida. Rezando, o ministro se torna ponte entre a necessidade do irmão e a graça de Deus, e para que essa ponte não seja frágil, precisa estar solidamente fundamentada na vida espiritual e no testemunho cristão.
A primeira preparação é espiritual: um ministro de cura e libertação deve ser homem ou mulher de oração constante. Antes de impor as mãos sobre alguém ou dirigir palavras de libertação, precisa ter cultivado intimidade com Deus no silêncio, na leitura da Palavra e nos sacramentos. Sem essa vida de união, sua oração corre o risco de se tornar apenas palavras vazias. A Confissão frequente, a Eucaristia e a devoção à Virgem Maria são armas indispensáveis. A santidade de vida não é opcional, mas condição necessária, pois quem deseja ser canal da graça precisa estar purificado para que o Espírito Santo atue livremente. Santo Afonso de Ligório já alertava que “quem reza bem, certamente se salva; quem não reza, certamente se perde”, e isso se aplica de forma ainda mais exigente àqueles que intercedem pelos outros.
A segunda preparação é o discernimento. O ministro precisa compreender que nem todos os sofrimentos ou enfermidades têm origem espiritual ou demoníaca. A prudência o impede de julgar precipitadamente e o leva a buscar inspiração no Espírito Santo para cada situação. Muitas vezes, a oração de cura será apenas um ato de consolo e de entrega a Deus, sem manifestações extraordinárias. É preciso também respeitar os limites: o ministro não é exorcista e não pode realizar o que a Igreja reserva ao rito solene; sua função é interceder com humildade, pedindo que o Senhor cure, liberte e fortaleça o fiel em suas lutas. Esse discernimento se apoia na Sagrada Escritura e na obediência às orientações da Igreja, evitando improvisos perigosos ou práticas que mesclem espiritualidade cristã com elementos estranhos à fé católica.
A terceira preparação é pastoral. O ministro de cura e libertação não deve rezar sozinho, mas preferencialmente em comunhão com outros irmãos, em um ambiente seguro, respeitoso e de oração. A caridade deve guiar cada gesto: respeitar a pessoa atendida, não expor suas fragilidades diante de outros, nem buscar espetacularização. O verdadeiro sinal de Deus é a paz e a conversão que brotam no coração, e não manifestações exteriores. Além disso, a oração deve ser sempre acompanhada do anúncio do Evangelho, convidando o fiel à vida sacramental e à perseverança na fé. A libertação não é apenas um alívio momentâneo, mas um chamado à vida nova em Cristo, e cabe ao ministro ajudar a pessoa a compreender que a cura maior é a salvação da alma.
Por fim, a preparação do ministro de cura e libertação passa pela obediência eclesial. Ele deve estar em comunhão com o seu pároco, sua comunidade e com as diretrizes da Igreja. Não é um ministério autônomo, mas inserido no Corpo de Cristo, que é a Igreja. O Papa Francisco recorda que todo carisma deve ser exercido em comunhão e não de forma isolada, para que produza frutos verdadeiros. O ministro que se submete à Igreja experimenta proteção e graça, pois não age como dono do ministério, mas como servidor. Assim, a oração feita sobre os irmãos será expressão de uma fé madura, obediente e fecunda, onde o poder não está no ministro, mas em Jesus Cristo, o Senhor.