A afirmação feita por Jesse Romero tem repercutido amplamente entre católicos atentos à dimensão espiritual da fé: quando satanistas desejam profanar o sagrado, eles não escolhem seus alvos ao acaso. Segundo Romero, não há interesse desses grupos em invadir cultos protestantes para profanar o pão comum, tampouco em atacar rituais de outras religiões com o mesmo propósito. O alvo recorrente é sempre a Missa Católica. A razão, segundo ele, é clara e perturbadora: esses grupos reconhecem que na Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo.
Essa constatação expõe uma realidade desconfortável. Para Romero, satanistas de alto nível, bruxos, feiticeiros e praticantes do ocultismo sabem distinguir símbolo de realidade espiritual. Eles não veem a Eucaristia como mera representação, mas como a Presença Real do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo. Por isso, desejam profaná-la. O que choca é a inversão implícita: aqueles que odeiam a fé católica demonstram reconhecer com mais clareza o mistério eucarístico do que muitos batizados que o recebem de forma mecânica e indiferente.
Romero fundamenta sua análise também na Sagrada Escritura. Ele recorda a Carta de São Tiago, onde se afirma que até os demônios creem em Deus, mas não obedecem. A crença, portanto, não é sinônimo de comunhão, mas de reconhecimento da verdade. Dentro dessa lógica, o fato de satanistas admitirem que “Jesus está ali” na Eucaristia não é sinal de fé salvadora, mas de lucidez espiritual aliada à rebelião. Eles sabem onde está o centro do cristianismo e, justamente por isso, o atacam.
O discurso se aprofunda quando Romero observa que o ocultismo opera essencialmente por zombaria e inversão. Nada é criado do zero; tudo é distorcido. Ele recorda que a própria Escritura usa a imagem do leão tanto para o diabo, que ruge procurando a quem devorar, quanto para Cristo, o Leão da tribo de Judá. No ocultismo, símbolos cristãos são apropriados e pervertidos, numa tentativa deliberada de escarnecer daquilo que é considerado verdadeiro. Para Romero, isso confirma que o cristianismo — e especificamente o catolicismo — é visto como o alvo principal dessa guerra espiritual.
A conclusão implícita do alerta de Jesse Romero é clara e inquietante. O inimigo não desperdiça esforços atacando o que é irrelevante. Se a Eucaristia é o foco do ódio e da profanação, é porque nela está o coração da fé cristã. Diante disso, a pergunta que se impõe não é dirigida aos satanistas, mas aos próprios católicos: se até os adversários da fé reconhecem onde está o maior tesouro da Igreja, por que tantos fiéis o tratam com descuido, indiferença ou banalização? Essa reflexão não busca gerar medo, mas despertar consciência sobre a gravidade espiritual do que se celebra em cada Missa.


