Ao longo da história, a humanidade buscou explicar o mistério da vida e encontrar sentido para a existência. Esse anseio natural pelo divino levou os povos a criarem imagens, mitos e deuses segundo suas culturas e compreensões. Diante dessa realidade plural, o católico é chamado a se posicionar de forma clara, fundamentada na fé da Igreja e sempre com caridade. A pergunta que surge é: qual deve ser nossa atitude diante dos deuses de outras religiões? A resposta precisa unir a fidelidade à doutrina católica com o respeito pela dignidade de todo ser humano.
A Sagrada Escritura é firme ao declarar que existe um único Deus verdadeiro, Criador do céu e da terra. O primeiro mandamento, revelado a Moisés no Sinai, é categórico: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,3). No Novo Testamento, São Paulo lembra que “para nós há um só Deus, o Pai, de quem tudo procede, e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por quem tudo existe e por meio de quem nós existimos” (1Cor 8,6). A fé católica, portanto, rejeita a adoração a outros deuses e convida os fiéis a uma adesão total a Deus Uno e Trino. Reconhecemos que qualquer culto prestado a ídolos ou divindades criadas não conduz à salvação, mas desvia do caminho que leva à verdadeira Vida.
Por outro lado, a Igreja reconhece que todos os povos, de diferentes formas, manifestam uma busca sincera pelo divino. O Concílio Vaticano II, na declaração Nostra Aetate, recorda que não se deve rejeitar o que há de digno de respeito em outras tradições, na medida em que expressam o desejo humano por Deus. No entanto, essas manifestações não podem ser colocadas no mesmo nível da revelação plena realizada em Jesus Cristo, único Salvador. Por isso, o católico deve permanecer firme na fé, sem ofender ou desprezar aqueles que creem de modo diverso. A postura correta é sempre o testemunho, a caridade e o anúncio do Evangelho, lembrando que a verdade se transmite pelo amor e não pela imposição.
A Tradição da Igreja também reforça essa visão. Os Padres da Igreja já alertavam que os falsos deuses são obra da imaginação humana ou até mesmo enganos espirituais que afastam o homem do verdadeiro culto. Santo Agostinho, em A Cidade de Deus, explicou que os ídolos e divindades pagãs não eram dignos de adoração, mas que, em meio a esses erros, a graça de Deus preparava os corações para o encontro com Cristo. Esse ensinamento continua atual: o católico não deve participar de práticas religiosas que invoquem deuses estranhos, mas pode, com respeito, dialogar e construir pontes, sempre testemunhando a fé em Cristo Ressuscitado.
Portanto, a posição do católico diante dos deuses de outras religiões é de clareza e respeito: clareza em não relativizar a fé, mantendo-se fiel ao Deus Uno e Trino revelado em Jesus Cristo, e respeito ao próximo, reconhecendo que todo ser humano é imagem e semelhança de Deus e está chamado à salvação. O caminho da Igreja é anunciar a verdade com caridade, sem arrogância, sem desprezo e sem sincretismo. Assim, diante dos deuses de outras religiões, o católico deve permanecer firme no primeiro mandamento, mas sempre pronto a dialogar e testemunhar o amor que nos foi revelado em Cristo.