Em muitos grupos de oração, a cena se repete: pessoas sinceras, cheias de fé, desejosas de ajudar quem sofre, se colocam em oração acreditando que a boa intenção é suficiente para garantir que tudo dará certo. No entanto, no campo espiritual, boa intenção não é critério de segurança. A história da Igreja mostra que muitos danos espirituais não nascem da maldade, mas da imprudência. E é justamente por isso que tantos ministérios acabam fragilizados, confusos ou até paralisados depois de experiências mal conduzidas.
Um dos erros mais comuns é acreditar que rezar sempre é melhor do que parar. Essa mentalidade cria a falsa ideia de que interromper uma oração é sinal de pouca fé, quando, na realidade, muitas vezes é um ato de lucidez espiritual. A tradição da Igreja Católica nunca ensinou que insistir sem discernimento seja virtude. Pelo contrário: quando uma situação ultrapassa os limites do leigo, continuar pode expor tanto quem reza quanto quem recebe a oração a riscos espirituais sérios.
Outro erro frequente é o uso de linguagem inadequada durante a oração de libertação. Muitos leigos, sem perceber, acabam adotando expressões que se aproximam de fórmulas próprias do exorcismo, utilizando ordens diretas, confrontos verbais ou atitudes de enfrentamento. Mesmo quando isso acontece sem intenção de usurpar funções sacerdotais, o resultado pode ser confusão espiritual, aumento da agitação da pessoa assistida e desgaste profundo do próprio ministro de oração. A oração do leigo deve ser súplica humilde a Deus, nunca confronto direto com o mal.
Também é comum a falta de discernimento ao interpretar manifestações. Qualquer reação mais intensa durante a oração passa a ser vista como sinal inequívoco de ação espiritual extraordinária. Esse tipo de leitura apressada cria um ambiente perigoso, onde tudo é espiritualizado, e aspectos humanos, psicológicos ou emocionais são ignorados. Quando isso acontece, o ministério deixa de ser espaço de cuidado e passa a ser terreno de interpretações subjetivas, abrindo espaço para erros graves e decisões precipitadas.
Há ainda o problema da autoconfiança espiritual excessiva. Alguns leigos, após experiências pontuais, começam a acreditar que possuem uma autoridade que, na prática, não lhes foi confiada. Isso não acontece de forma consciente ou maliciosa, mas como consequência da ausência de formação sólida e acompanhamento. O resultado costuma ser o isolamento, a dificuldade em aceitar correções e, em casos mais graves, o enfraquecimento da vida sacramental e da obediência eclesial.
Todos esses erros têm algo em comum: não nascem da falta de fé, mas da falta de discernimento. E o discernimento não é fruto de improviso, emoção ou repetição de experiências anteriores. Ele nasce do conhecimento dos limites, da obediência à Igreja e da humildade de reconhecer quando é necessário parar e encaminhar a situação corretamente. Ministérios não entram em crise por rezarem pouco, mas por rezarem sem critério.
É justamente para ajudar leigos e ministros a reconhecer esses riscos silenciosos que foi elaborado o e-book “Ministério em Risco”. Ele não existe para desestimular a oração, mas para proteger o ministério, a pessoa assistida e a vida espiritual de quem serve. Com critérios claros, linguagem acessível e fidelidade ao ensinamento da Igreja, o material oferece um caminho seguro para quem deseja continuar servindo sem colocar sua missão em perigo.
⚠️ Você pode estar colocando seu ministério em risco sem perceber.
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